quarta-feira, 1 de junho de 2011

Atualizações

Comecei a escrever um post sobre a minha opinião dos eventos políticos do momento, mas desisti. É tudo muito surreal pra eu perder meu tempo comentando.

De passagem, apenas reafirmo algumas certezas:

(a) hoje, a Marcha pela família, organizada pelo Silas Malafaia e seus asseclas, mais uma vez, me fez sentir vergonha de ter sido evangélico;

mas (b) a manobra da bancada evangélica acerca da convocação do Palocci x kit educativo do MEC sobre homofobia, deu-me orgulho de "ser político". Foi genial!

Por outro lado (c) o fato de os evangélicos aceitarem eventual corrupção, mas não tolerarem a diversidade, outra vez, me deixou envergonhado de ter partilhado algo com essa gentalha.

A maneira ridícula que o espaço público brasileiro - mídia - trata a questão do Código Florestal (d) , não deixando claro que o governo simplesmente está certo em não permitir que se perdõe desmatadores, e isso sequer é discutível, faz eu ter vontade de bater em alguém.


Por outro lado, fico feliz pelo fato de que, no Brasil, (e) estamos discutindo temas relevantes. Houve, por assim dizer, um revigormento do espaço público, incrivelmente, e contra todas as previsões que apostavam no protagonismo da sociedade civil (seja o que for isso, já que ninguém que eu conheço sabe dizer) fomentado pelo governo. Da forma certa ou da forma errada, criminalização da homofobia, possibilidade de união estável para homossexuais, questões ambientais são os temas que pipocam nas últimas semanas. Talvez porque não tenhamos Big Brother!


(f) Acabo de ver o vídeo da convocação do Palocci a uma Comissão qualquer da Câmara. É bizarro. Apenas menos bizarro que a (g) Pizza Palocci que os babacas da oposição no Senado encenaram. Cês são Senadores, estúpidos, honrem o nome!

Menos bizarra, também, que a (h) operação toda montada para proteger o Palocci. Óbvio que todo ex ministro ganha rios de dinheiro com consultorias e afins. Não há nada demais nisso, logo, não deixarem o cara ir se explicar significa que, (i) tem mais coisas... Coisas do PT! Sempre com nossos esqueletos no armário!

Significa também que (j) foi péssima idéia, chamar esse cara, envolvido na violação do sigilo de um pobre caseiro para compor a articulação do governo.

Por fim, (l) retomando uma velha discussão com o Fabrício, eventos como os atuais fazem já merecer um estudo, que um dia farei, no pós-doc, quem sabe, sobre a ainda atualidade da distinção Direita x Esquerda no Brasil. Ou foi o DEM que colocou meio ambiente e diversidade na pauta de votação do Congresso?

Olha... pra quem não ia perder tempo com o assunto, fui longe!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A propósito do vídeo babaca que circula entre os "irmãos"

A propósito dos 187 emails indicando o vídeo alocado aqui: http://www.youtube.com/watch?v=T2Zc37ICWWY, minha resposta:


Meus Irmãos (hahahaha!):


Havia um tempo em que os crentes desconfiávamos de quem andava com a Igreja Católica (naqueles tempos, a Babilônia... ) e os mais sagazes viam com suspeita a idéia de misturar fé com política. Nesse tempo, também era mal vista a idéia de mandar votar ou não votar a partir do púlpito, lugar (então) considerado sagrado. Pelo menos superaram o preconceito com os católicos, mas se parece que estão civilizados, ledo engano.

Aos que sutentam tanta antipatia ao tal PL 122, sugiro que leiam o texto (que envio anexo, ademais). Se acharem ali as tão temidas previsões, se encontrarem no texto fundamento legal pra tão sombrias previsões me avisem. Só lhes lembro que EU SOU ESPECIALISTA EM DIREITO, vcs não. Não é arrogância, só que não palpito nas equações que meus amigos engenheiros fazem pra construir qualquer coisa, pelo simples motivo de que não sei nada do assunto! Mas não creio que este é o foco da discussão. Ela é infinitamente menos jurídica do que espiritual.

Em outros termos, desagregando o discurso do tal pastor do vídeo (que até merece um crédito por não ser aquela coisa bizarra que é o Malafaia, que, ninguém me convence do contrário, gosta é de aparecer), o que entendo é o seguinte: fracassamos como igreja, a iniquidade já tomou conta, mas nos resta agarrar a uma última raiz legal a fim de não cair despenhadeira abaixo. Isto é, há homossexuais por tudo, espiritualmente eles representam o mal, mas existem e estão espalhados por aí. Não fazemos nada, não conseguimos fazer nada, eles venceram, mas uauuu, eles podem levar vantagem no mundo espiritual, massss, nõs vamos sacaneá-los do ponto de vista legal.. Yupi, muito cristão isso!

Não concordo com nada dos conceitos acima expostos, mas o que mais me irrita, o que me irrita de fato, é que este discurso, ao fim e ao cabo é só pseudocristão. É cristianismo às avessas e ninguém me faz mudar de idéia. Porque, sim, merece punição alguem que discrimina negros, mulheres, homosexuais ou seja quem for! Mas para além da discussão sobre punição ou não - sobre a qual, repito, vcs não entendem nada, mesmo porque não leram o texto - o que interessa é que, como igreja, no sentido sociológico, como grupo, é claro, não como povo de Deus na terra, tentam justificar a agressão, a discriminação a um grupo.

Ao meu sentir, a Igreja verdadeira tinha que bater palmas, apoiar qualquer tentativa, legal ou não, de proteger um grupo discriminado, mesmo que isso vá contra nossas opiniões morais, pelo simples fato de que é esta a função da Igreja: pregar o amor de Deus, mesmo àqueles que não gostamos. E meu conceito de amor de Deus, nem a pau, justifica a defesa de quem lança impropérios, xingamentos e afins sobre qualquer pessoa, sim, porque é isso que prevê o raio do artigo 20 do projeto, o único que, de algum modo, bem delirante apenas, pode ser visto como afetando "nossa liberdade de fé":

"Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.


Enfim, volto à saudade daqueles tempos em que a Igreja era contra - ou pelo menos não era a favor - à prática ou indução de discriminação ou preconceitos, sejam quais fossem!

Por fim, esperei pacas pra escrever esta resposta porque simplesmente cansei de nós crentes. Não tenho mais a mínima vontade de tentar convencer-nos de qualquer coisa, pelo simples fato de que somos burros. Pra mim, crente e burro é sinonimo, pronto. Faço um esforço diário pr me livrar das raízes mais preconceituosas que me legaram. N'alguns casos, progressos, mas é difícil, admito. Mas é A VIGÉSIMA VEZ QUE RECEBO ESTA DROGA DE VÍDEO DAS CRIANCINHAS PASSANDO FOME E DA IGREJA QUE TEM QUE SE UNIR E TAL , COM UMAS 134 BABOSEIRAS JURÍDICAS.

Que Igreja? Todos sabemos que esses caras vivem se matando por algum prestígiozinho e dinheiro. E agora querem se unir - com a Igreja católica, pasmem!!!! - pra combater uma lei que pune a discriminação???? ESTAMOS MESMO FALANDO SÉRIO?????! Vou forçar a barra, mas acredito mesmo que devíamos estar é do outro lado. Não sei porque, mas suspeito de que é pelo simples motivo de que eu li os evangelhos, que sempre via Jesus ao lado dos que seriam apedrejados, dos que seriam discriminados, dos que não tinham proteção, mesmo sendo eles pecadores ou qualquer outra coisa que então era considerada escória!

Ou seja, para além de toda esta papagaiada e teatro ridículo que se tornou a "Igreja", ainda a verdadeira religião é cuidar dos órfãos, das viúvas e, adiciono eu, dos aidéticos, dos mendigos, dos famintos, dos viciados E DOS HOMOSSEXUAIS, enfim, dos desamparados!

Encerro com o seguinte. Sei que todos os que me repassam estes vídeos e emails estão imbuídos da melhor vontade. Em que pesem meus rompantes, eu também estou. Só peço que sopesem os que estão dizendo, o que estão apoiando o que estão repassando. E, SEM OFENSA, NÃO ME MANDEM MAIS ISSO!

Ps: Alguém me explica aquele papo de "Deus vai julgar esta nação..." Julgar a "nação"? Não existe mais responsabilidade pessoal? Os outros fazem e eu pago? Por qual critério isso se assemelha a justiça? Eita conversinha de gente doente!


PS. 2: Que tal repassarem também esta resposta e fazerem um debate, para além daquela coisa monocromática baseada naquele vídeo bizzarro das crianças passando fome (na África, onde não há leis 'a favor" dos gays e eles já estão "bem julgadinhos", por assim dizer).

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vamos namorar à luz do polo petroquimico...

Há um tempo, tive a genial idéia de querer ser Economista. Pra mim o conhecimento é uma coisa um tanto mágica, que me deixa maravilhado ao me dar acesso ao mundo. Fico como criança toda vez que aprendo algo, aliás sou assim desde pequeno. Vibro quando entendo algo relevante quase como se fosse gol do Gremio: o mundo é um quebra-cabeças gigante espalhado no horizonte com umas pecinhas do tamanho de um azulejo num canto... E é minha função ir lá no canto, pegar uma, parar na frente do enorme desenho, olhar pra ele com admiração e respeito, apertando a peça contra o peito e encontrar o lugar dela...

Pois bem, no meio do Curso de Ciência Política fiquei maravilhado com a "teoria da modernização". Em linhas gerais e grosseiras, ela sustenta que a democracia é uma decorrência de certo nível econômico. Acima de tal renda média, o país vai ser democrático, abaixo, é provável que seja uma ditadura, abaixo de X, não tem democracia que se sustente. Demais, não? Demais pelo simples fato que nós do Direito sempre achamos que o mundo se muda com regras. Boa lei, bom mundo. É um pensamento burro e meio infantil, mas ninguém pensa no "problema da democracia", aliás, ninguém pensa em nada. Jurista é tudo otário.

Ademais, era uma fase minha meio de transição. Eu estava saindo da posição do empregado demitido por fazer greve para a de assessor de quem tem o poder de demitir e a perspectiva mudou. E também, tem uma coisa que me fascina que nunca alguém me explicou, então fui tateando por aí, que é o sucesso da estabilidade brasileira e a sua relação com o plano real, dos neoliberais do mal que hoje, nós, esquerda batemos palma. É só olhar, por exemplo, a Argentina cujas crises políticas são decorrentes das crises econômicas.

Bem, em resumo, a economia move o mundo, e se seu já passei pelo direito, pela política, tentando entender o mundo, por que não dar um pulinho no mundo dos números?

Mas sou movido a paixão, e aí precisava de algo que me empurrase ou puxasse, atraísse, enfim. E estava eu na casa dos meus pais vendo nada na TV, eis que surge, De repente, Gina. O filme mais querido que já vi. Querido, simpático, doce, sei lá, me faltam os adjetivos.

É um filme que flerta com você e dentro de cinco minutos cê tá apaixonado. Contra todas as expectativas: filme alemão, feito pra tv, com o impronunciável título de "Frühstück mit einer unbekannten", segundo dizem, algo como "A garota do Café".



Não vou fazer a sinopse, apenas dizer que esse filme me impactou e deixou fora de órbita por algumas semanas. Assim como durante a graduação, teve um momento em que eu queria largar tudo e fazer gastronomia, fiquei semanas arquitetando o melhor caminho pra ser um economista pra poder consertar o mundo, afinal era uma idéia de colocar mais pecinhas no lugar e ainda melhorar o desenho...

As resenhas na internet todas dizem a mesma coisa. Do nada, o filme te conquista. A relação improvável entre uma parteira e um assessor do Ministro da Economia da Alemanha vira algo que a gente deseja pra si, mas não foi só isso que me atraiu. Não parei pra checar se os dados estão certos, mas lá pelas tantas alguém diz que o dinheiro que os países ricos gastam diariamente em cafezinho seria suficiente pra acabar com a fome no mundo. Que a grana gasta anualmente pelas européias em maquiagem é o necessário para erradicar as doenças venéreas dos locais miseráveis do mundo... Honestamente, meu cáfé tem outro gosto desde então.


Meu ponto aqui não é vamos dar as mão e salvar o mundo, viva o GreenPeace. Também nem estou falando do nosso egoísmo de país desigual que normalizou o absurdo de crianças na rua no frio de 5º. Escrevo esse texto sob a influência da leitura da riquìssima metáfora da Belíndia, do Edmar Bacha. Meu argumento é que mais que um libelo ou um tratado, o encantamento move.

domingo, 23 de maio de 2010

Política

Tempos atrás, após um momento de embasbacação com a Beyoncé no clip de Irreplaceable, postei no nick do msn "To the left, to the left!". Alguém veio pegar no meu pé, perguntando qual seria, o próximo, Rebolation? Respondi que não, que evidentemente não tinha apenas um viés musical, que era mais um manifesto, que não sabia como ninguém havia se apropriado ainda de tal lema, que se eu fosse publicitário - e pudesse veicular as crenças ideológicas em horário nobre sem perder pontos pro meu candidato - evidentemente me apropriaria do jargão, e que, meus amigos, todos, por favor "À esquerda"!

Enfim, terminei meu longo arrazoado dizendo que era um exemplar perfeito de PopPolítica. (O que me faz pensar no motivo pelo qual pouca gente fala comigo no msn). Pois bem, pensei até em mudar o nome do blog pra isso "PopPolítica". Comercial, moderno, enfim, eu gostei e é isso que importa. Depois a idéia acabou se perdendo em algum escaninho do cérebro...

Não vou mudar o nome do espaço, mas a idéia de falar de política voltou nos últimos tempos. Reparto o apartamento com um doutorando em Comunicação e dia desses ele propôs que escrevêssemos um artigo sobre blogs políticos. Baita idéia, estamos montando o texto. Mas o motivo que me faz perder momentos desse domingo pra escrever aqui - como se escrever e pensar sobre política fosse algum sacrifício pra mim... - é outro.

Estou desde ontem lendo tudo o que acho na internet sobre a eleição presidencial. Todo mundo sabe, mas repito: as pesquisas da última semana mostram uma subida de 5 pontos pra Dilma e uma queda de 7 para o Serra. Essa, a do Datafolha, que apenas confirma o que disse as do Census e do Vox Populi.

Todo mundo tá comentando que o Serra vai ter que mudar a estratégia, que o Aécio tem que entrar na disputa pra poder equilibrar o jogo, blábláblá. Eu acho outra coisa. Esta eleição já era.

É claro que muitas águas ainda vão rolar, como disse a Marina Silva, que eleição é um troço complicado e tudo mais. Mas se um programa - todos atribuem a mudança no cenário ao programa eleitoral do PT no dia 13 - de dez minutos causou um estrago de 12 pontos percentuais na campanha do Serra, imaginem quando o horário eleitoral começar de verdade. E, segundo consta, o PTMDB vai ter quase o dobro do tempo da aliança PSDBFL. Babaus!

Mas não é só isso. Campanha, sobretudo pra presidente é publicidade. Infelizmente, mas é assim. Claro que nós Cientistas Políticos (ou, numa taxinomia menos pretensiosa, Politólogos) gostaríamos de partidos ideológicos (o que o PT já foi, mas mudou de idéia quando descobriu que na Política o legal é vencer), de alianças programáticas (algum dia, alguém terá de escrever por que PT e PSDB não se uniram no início da década de 90) e mais um monte de coisas com nomes belos. Mas na vida real é assim: quem é mais palatável, tendo uma boa estrutura no interior e dispuser de mais tempo na tv ganha. Simples!

Neste caso, as estruturas são semelhantes, mas com uma vantagem para a Dilma que ningém sublinhou: a base do PFL é o norte/nordeste, que desta vez vota Lula, ou seja, Dilma. Com relação ao tempo de TV, já falamos.

Mas o diferencial aqui é a cara, a lage, a latinha. A Dilma apresenta melhoras gigantescas. Era difícil ouvi-la: fala dura, rápida, ao estilo general. Agora está mais mãe - alguém viu a inserção sobre o Crack? - fala mais ritmada, sem contar o cabelo e as, por assim dizer, alterações estéticas. Ainda tem que melhorar bastante, por exemplo, na espontaneidade dos gestos: no programa do dia 13, na cena que faz com um produtor rural do RS, fica o tempo todo com as mãos pra trás, parece o general aquele da Coréia do Norte.

Mas o Serra, pelamordedeus. Se fosse apenas picolé de chuchu, como diz o Simão, seria ótimo. Não tem plástica que resolva, em uma expressão, ele assusta.

Há, ainda, outros fatores: o PT venceu 2002 porque era o Antiéfeagá. Quem mesmo quer ser o Antilula? Os políticos, por regra, no fim do mandato estão desgastados, mas Lula bate quase 80% de aprovação toda semana.

O dilema do Serra é o seguinte: não pode bater no Lula, porque é suicidio, e não pode se vincular ao Lula, porque esta vaga está preenchida. Mas o problema fundamental é outro: o que tem a oposição a dizer de novidade? A oposição passou seis dos sete anos sem saber a que se opôr (o ano de execeção fica por conta do mensalão), não é agora que vai descobrir. Gestão competente? Bem, é exatamente a marca que colaram à Dilma; corrupção? Isso já não deu certo antes, além do que, o gigantesco teto de vidro criado aqui no RS é um problema; economia crescente? Bem, o Lula tá dando palestras sobre o assunto no mundo; inserção internacional? Qual? FHC, com seus doutorados, já virou sombra de Lula neste cenário; programas sociais, ah, fala sério!

Pessoalmente, acho que o governo Lula surfa numa onda começada em 1994. Penso que FHC, com toda a oposição do PT, fez uma penca de reformas fundamentais porque tinha o PMDB e o PFL, mas também porque resolveu meter a cara. Lula, por sua vez, tem uma oposição de brincadeira, mas uma base um tanto instável pra reformas estruturais, fundada na instabilidade do PMDB e em meia dúzia de partidos nanicos (Ok, tem o PC do B e o PDT fiéis na retaguarda). Fica então surfando na onda da economia - competentemente gerida por sua equipe - e de seu carisma, em que pese seja ridículo atribuir sua aprovação aos programas sociais e a um paternalismo ao norte/nordeste, tal como faz a imprensa burra e preconceituosa. A menos que se imagine que 95% do povo brasileiro vive lá, dizer que 80% de aprovação é por conta do bolsa família é uma piada de cálculo.

Claro que a oposição poderia levantar as bandeiras das reformas da previdência, tributária, agrária, etc, que ficaram engavetadas. Mas a oposição não teve coragem nem interesse pra fazer isso antes, obviamente não terá agora. Aliás, alguém, por favor, me diga, quais as bandeiras da direita (sei lá o que o PSDB é nessa história) neste país.

Enfim, o interessante é que lá por novembro, dezembro, minha Prof., no mestrado já havia prenunciado esse cenário. Analisando os dados acessórios de uma pesquisa que eu também tinha lido, ela disse que se política fosse um negócio racional, o Serra deveria retirar sua candidatura. Não entendi nada, afinal ele tinha pencas de pontos à frente da Dilma.

Hoje entendo. Não tem como concorrer com um governo que tem 80 por cento de aprovação. Se é pra ser o AindaLula, quem é melhor, a Senhora-com-cara-de durona/quase/simpática-indicada-pelo-Cara, ou Tiozinho-com-cara-de-nada-amigo-do-FHC? Vem aí mais oito anos de PT, meus caros, com a graça de Saint' Obama.

Pra encerrar e confirmar a tese eleição=propaganda, quem tiver tempo de dar uma vasculhada no youtube vai achar várias semelhanças entre a peça do PT do dia 13 e as do Fernando Henrique. Fundo azul em propaganda do PT? Cadê o vermelho? Num momento fiquei pensando que na próxima cena ouviria a musiquinha "Tá na minha mão, na nossa mão, na mão da gente, fazer de Fernando Henrique nosso presidente..." Legal, tâmo aplicando PDCA neles!

Por fim, um salve aos advogados que garantiram a ida da peça ao ar. Sempre alertas pra bagunçar o sistema. É nóis, mano! Pois se aquilo não é propaganda eleitoral antecipada, abandono minhas crenças em direita e esquerda...

A parte legal disso tudo é que daqui a uns dias tudo muda e essa minha avaliação vai pro saco. Política... No meio de tudo isso, só uma certeza: "To the left, to the left!"


segunda-feira, 3 de maio de 2010

sábado, 1 de maio de 2010

Dos inimigos do Batman!

As pessoas são grandes surpresas! Todos sabemos, mas permitam-me retomar o argumento, o termo pessoa vem de persona, a máscara que os atores utilizavam no teatro grego para dar vida aos personagens. Incrível, portanto, a reviravolta do termo, posto que a persona era exatamente aquilo que escondia, que transformava, que fazia o ator ser menos a pessoa, no sentido que entendemos hoje.

Há quem ainda remonte a origem ao verbo personar, "soar por meio de", assim, a persona servia também para amplificar a voz dos atores no grande picadeiro e então.

Etimologia não ajuda. Mas explica, talvez, esse caracter demasiado humano em que se nos apresenta a persona, à qual atribuímos ares de realidade e o status de pessoa (uma), mas é por trás da qual que se esconde o real. Sociologicamente isso é explicado. Funcionalistas de plantão, desde Parsons vêm com este papinho dos papéis, blábláblá... Psicólogos provavelmente também tem essas nóias: essas minhas conversas bem enveredam por um arremedo da psicologia lacaniana, a incalcançabilidade do real e o todas essas abobrinhas...

E o que há de comum entre o teatro grego e meus rudimentos de latim - ambos apreendidos de Hannah Arendt - franceses de escrita difícil e esta madrugada? A incompreensão do outro, a extenuante tentativa de superar a máscara, o apreendimento das entrelinhas, o garimpo dos sentidos (bah, isso dá um belo nome de livro "O garimpo dos sentidos", por Oseias Amaral).

Enfim, talvez não haja pessoa, apenas várias personas, dizendo isso aqui, escrevendo aquilo ali, agindo assim acolá, sem ser de fato. Perspectiva assustadora.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Teologia

Deus existe, sabe! Pro bem e pro mal. É um postulado da teologia simpática à divindade que Deus não pode fazer o mal, que ele é amor em essência, mas eu discordo em parte. Discordo porque lendo a bíblia, já sublinhou bem a Lini, minha irmã, vamos ver matança e mais matança autorizada e sufragada pelo deus de Israel, que nós tomamos de empréstimo, ao meu ver, forçando um pouco a barra.

Eu não posso reclamar do homi. No geral, tá tudo certo, vivo bem, saúde, família, blá blá, blá. Apenas o sujeito chato sou eu, macaco, pipoca, tobogã, eu acho tudo isso um saco!

Mas se ele existe, eu comprovo por outros motivos. É tambem um postulado, dogma, que Deus é pai. Se é pai, e isso é uma droga, corrige e disciplina. Em termos menos simpáticos, ferra sua vida.

Deus existe, ferra minha vida e eu demonstro: Sábado passado eu ia saír. Tinha uma apresentação de seminário do mestrado hoje. Mas era um tema fácil, eu já havia preparado a metade e o plano era teminar no domingo. Saída confirmada, lugar perto, duas quadras da minha casa, iam estar umas três das mulheres da minha vida, tudo certo. Exceto que esqueci de combinar com Javé, né, ó!

Eu sou o derrubador de sistemas. Onde eu chego, cai a rede, o sistema, os aviões não decolam. Fui buscar dinheiro pra noite, óbvio a rede caiu. Caiu toda a internet no meu bairro, fui em dois caixas eletrônicos e nada, nadica de nada!

Mas eu gosto de, por assim dizer, medir forças com a divindade, ora! Filho rebelde é assim e ele sabe. Catei uns pila no armário, pedi pro vizinho e me toquei pra fila. Depois de meia hora, na hora de comprar o ingresso, descubro que estava na fila do único lugar do mundo que não aceita cartão de débito! Deus mexendo os pauzinhos, é claro. Volto pra casa, leio mais um pouco, acordo bem no domingo, termino o seminário, apresentação de sucesso, elogios e o diabaquatro. Deus existe e manda na minha vida. Que saco!

Daí hoje, tento de novo. Tá, tem uma dissertação pra eu escrever, mas quem liga? Feriado e eu vou pra noite afogar as mágoas. Isso, é claro, até o indicador divino me apontar. Por algum motivo besta, fechei a grade da porta, minha colega de apê não tem chave, teve que me chamar, tive que sair no meio da festa, enfim, ferrou tudo de novo. O detalhé é que nunca fecho aquela droga, que sempre tem alguem em casa, que nem ia levar o celular, que...

Ok, talvez eu tenha de me conformar. Deuzo existe. Deuzé pai! Como pai, corrige, disciplina e bota o filho no caminho. Ok, começo minha dissertação amanhã. Inferno!
Pos scriptum: Vou fazer, mas não sem meu protesto.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Música!

Meia noite e meia, vinho na cabeça e lembrei do tempo em que eu não manjava absolutamente nada de ingreis além do verbo to be mal ensinado na escola pública, logo, não sabia o que as músicas significavam. Tempo saudoso em que não tinha Agravos de meia dúzia de milhões, nem dissertação, nem aula no sábado nem nada. A única preocupação - já que papai sustentava e a escola eu tirava de letra - era a vida adolescente: ser aceito, não ser tão tosco, a Joana, a Daia, a Rosane, a Sandra a Carol (ai, a Carol...!) e todas as paixões adolescentes.
  • Naquele - bom - tempo, que eu escutava União FM e me deliciava com músicas das quais eu não fazia a menor idéia do significado. Era a coisa do prazer do som pelo som, e eu ficava imaginando criando meu próprio universo, sem saber se quem cantava estava morrendo, narrando um orgasmo ou falando sobre fantasmas. Era tudo a mesma coisa!
Então, pra quem gosta de listas, aí vai o Top-sei-lá-quantos de músicas que eu não entendia e preferia assim, pois hoje dá vontade de cortar os pulsos no fio de folha de ofício. Faça sua lista. Ou ache algo mais útil pra fazer, é claro.
  • Out a reach - Gabrielle. O baixo e o piano do início já me ganhavam. Quando entrava a voz aveludada da mulé eu ia à loucura. E o refrão, então, com aquela guitarra discreta? Demais. Eu achava perfeita pra cenas afetivas públicas - românticas, pronto, falei. Alias, vocês sabem a origem do termo romance? Tá, não tem nada a ver com o assunto, fica pra outra hora.
Sei lá o que eu imaginava, mas é uma música agradável de ouvir, combina com esperar alguem num restaurante, levantar sorrindo quando ela chega, coisas do gênero. Me trazia boas sensações, mas agora tenho que abstrair da letra quando ouço ! Out a reach, so far! Que triste.
Queria por aqui o link pra esta tragédia cantada, mas ainda não sei fazer isso. Quem sabe amanhã.
  • PS: Pesquisando pra este post, descobri que tal música faz parte da trilha de Bridget Jones, aquele aporrinhamento sem tamanho. Eita mulherzinha chata aquela.

Posto as outras amanhã, que tenho que estar inteiro pro meu Agravo.

  • PS 2: Peço desculpas pela ausência de postagens, mas é que ando emburrecendo. Não tenho muitos assuntos e não pretendo ficar falando sobre meu sempre estranho dia-a-dia. E sim, havia esquecido a senha. De novo!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

TV

E aê! Cá estou. Pra dizer o seguinte: tava vendo meu msn e alguem postou algo do tipo "tv é uma droga". Eis algo que discordo. Parcialmente, na verdade. Meu argumento é o seguinte: tv aberta, fechada, nacional, estrangeira, dia ou noite, sim, passa muuuuita porcaria. Mas também há achados.

É que tv é importante. Li mais que a maioria das pessoas que conheço, não que seja um mérito, é que eu era feinho de dar dó, daí não tinha muitos amigos, mas tenho certeza que minha formação cultural se deu mais que por livros, pelo que vi na tv. É por isso que acho que tv é assunto sério. Não só as roupas, jeito de falar e coisas externas copiamos dos folhetins. Nossa visão de mundo, nossa cosmologia também vem muito daí. Por isso, mesmo atualmente, quando que ligo a tv a cada 15 dias sou um tantim hollywood e projac.

Mas no meio da porcariada - tá, este termo não existe - que gastam nossos olhos, um nome: Aaron Sorkin. Podem ir atrás de qualquer coisa que tenha estas duas palavras, feitas depois de 1995. Sorkin é um roteirista com cara de doido que escreve os diálogos mais interessantes que já foram escritos. Sabem aquele filme simpático com a Annette Bening e, sei lá, o Bill Pulman, Meu querido presidente, sim, é dele. Mas aí que a coisa começa a ficar quente.

Na pesquisa pra esse filminho, no máximo simpático, Sorkin se tocou que queria mesmo fazer um negócio sobre política. Daí nasceu, o que? The West Wing. The West Wing é simplesmente a melhor série de todos os tempos. Opinião minha? Não, da crítica. Ningúem ganhou tantos prêmios. Sete temporadas absolutamente geniais - na verdade, só posso opinar pelas quatro primeiras, que tenho os dvds e assisti umas 17 vezes.

The West Wing tem tudo que uma série boa tem que ter, aquela coisa de te envolver com os personagens, excelentes atores, ótima produção, mas o personagem principal é o roteiro. Sorkin. Digam-me aí qual outra série cita expressamente Rawls e o véu da ignorância, discute o Tribunal Penal Internacional, faz tu pensar que os mandamentos não são apenas dez, põe em discussão cotas, leis protetivas a minorias e ainda tem pencas de milhões de pessoas, que nunca entraram numa faculdade de direito ou política assistindo?

Ok, dirão os incrédulos que sou tendencioso, que é óbvio que um estudante de política vai gostar de uma série sobre... política, que um advogado tem mesmo que idolatrar uma série sobre... leis. Mas não é nada disso. Quando conheci The West Wing, eu tinha, sei lá, uns 17 anos e chegava do trabalho à meia noite. O SBT tinha algo como Séries Premiadas e eu ligava a tv enquanto preparava algo pra comer. Um dia, sentei, comecei a prestar atenção e, fiz a faculdade de Direito e estou no mestrado de Ciência Política.

Sim, espantando qualquer pretensão, sou advogado e serei político por causa da Tv. Tv é cultura - ou instrumento de - meu mundo se forma a partir deste horizonte cultural, ou seja, o que vejo e escuto influencia na minha decisão de me tornar funkeiro ou fuzileiro naval.

Mas, voltando ao Sorkin e suas falas magníficas, para além delas, ele tem a mágica de construir um mundo de trabalho do qual vc quer fazer parte. Sério, agora acabei de ver a primeira e única temporada de Stúdio 60, que ele realizou após deixar The West Wing. É sobre Tv, a produção de um programa de comédia na tv. O que pode ter de legal nisso? Não sei, mas estou seriamente pensando em me embrenhar numa aula de teatro e me tornar comediante ou algo assim. Viram? É como se alguem conseguisse tornar os bastidores da Zorra Total um objeto de desejo, o que é muito porque se alguem conseguisse tornar o programa em si atraente já seria um mérito.

Well, aí está, então Stúdio 60. Assisti a primeira temporada e fico pensando como, num mundo com 24 Horas, The Office e coisas vampirescas, fazem apenas uma temporada de algo com Stúdio 60. Bem, tem links na internet a torto e à direito. Baixem, já que - creio eu - não tem em dvd. Se alguem achar, aliás, me avisa, quero comprar pra mostrar pros meus netos. Ah, e tem o Matthew Perry - o cara mais engraçado de Friends, a Amanda Peeet, que mesmo grávida dá vontade de pegar, o Bradley Whitford - sempre no papel de Josh, o irmão mais velho perfeito.

Procurem o Sorkin. Tv ainda pode inspirar. Tenho dito.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

De volta! Sim, voltei. Aproximadamente seis meses sem nada, nenhuma postagem, nem um alô. Motivo? Simples e estúpido o mais de todos: não sabia a senha. Tá, tambem não tava assim mega interessado em escrever, mas o motivo determinante era este, não sabia mais como entrar. Tentei pencas de coisas, mas não conseguia. É duro ser burro. Mas então, de volta. Atualizando-os, novidades radicais: sou adEvogado agora, tributarista (tentando) pra piorar as coisas, estou quase no meio do mestrado de Ciência Política, que como disse anteriormente, é o ôro, convencendo meio mundo a ir comigo pra Ciência Política (não, só os melhores), morando em Poa em um apê-cobertura-perto-da-redenção lindooooooooooooo de morrer, formado (bem, isso é óbvio, se tenho OAB...), ah sim, aprovado nesse exame besta da ordem, solteiro, como sempre e mais outras cositas.

Claro, nem tudo são flores: ausências de doer o coração, despedidas inexistentes de fazer engolir a lágrima, distâncias instransponíveis mais que físicas, proximidades absurdas não resolvidas (dois nomes, na verdade!). Em resumo, tudo novo, de novo! Até a próxima. Nos vemos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Teoria da Conspiração!

Ok negada, de volta! É, pois é, não tinha escrito nada porque não tinha nada a dizer. Até que aconteteceram muitas coisas desde a última postagem, mas eu tenho um certo probleminha com fatos, pra mim eles não são láááá essas coisas, então, vou apenas fazer um resumos sumário: passei na UFRGS, vou mudar de cidade, passei no exame da oab (primeira fase, a outra é 01/03), sem estudar nem uma linha - sim, exame da oab é uma barbada! - to procurando apartamento, voltei à academia - um mes e já tô grandão, juro! - e creio que era isso.

Como eu disse, nada demais. Ah sim, aconteceu uma coisa interessante. Ganhei uma tv nova. Promoção do CDL da minha cidade. Preenchi pencas de cupons que meu pai trouxe, ganhei a tv.

Enorme, pesada, mal cabe no quarto. Pois bem, tinha que estrear a teresa. Fui na locadora. Aliás, eu adoro locadoras! Locadoras é como se fosse coisa da família. Tenho tradição de ficar amigo das pessoas da locadora, ter crédito, pagar no fim do mês, essas coisas. Pois bem, fui à locadora, deveria ser domingo, tinha poucos filmes à disposição. Peguei House (meu ídolo!!!) e a versão cinematográfica de O caçador de pipas.

é. (to be continued)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Coisas da vida...

Voltaremos. Mas tô de saco cheio. Muito tempo, mas trabalhando demais.!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sobrevivendo!

Tchê, acabo de passar por uma das mais interessantes situações da minha curta vida. Banca de seleção de mestrado na Ufrgs. Sou um peixe fora d'água, um cara do Direito se aventurando na Ciência Política. Diziam meus amigos que ninguém passava sequer na primeira fase, passei, hoje foi a entrevista.

Há duas ou três semanas atrás foi a entrevista na Unisinos, barbada, professores conhecidos, papo rápido, o projeto interessante, quase uma conversa de amigos. Já hoje...

Bem, em resumo, os caras batem com gosto. Nada injusto, elogiam o que têm que elogiar, analisam com frieza o projeto, mas quando têm que bater, bah, os caras são do ramo.

É amigos, segunda feira o resultado. Aguardem ansiosamente comigo: façam simpatias, orem, rezem, façam pajelanças...

Ah - e isso é meeeeeega importante - CHEGA dessa vida de corno. Ler até as três da manhã, acordar às oito e meia e começar de novo é engraçadinho por um tempo: o cara se sente bem fazendo o dever de casa e o escambau, mas essa vidinha por mais de três meses já é palhaçada. Chega! Pelo menos até segunda feira, quando inicia o estudo pro exame de ordem...

Meu reino por um fim de semana...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Feliz ano novo, adeus ano velho, que tudo se realize...

Ok, ok, eu ando meio choroso aqui no blog. Teve de tudo, poeminha, música, um monte de asneiras, que, frise-se, não que não as ache interesante, ao revés, mas, por enquanto, acabaram.

Ok, meus quatro leitores - seim, descobri mais um dia desses - merecem uma explicação. Sucinta, mas merecem. Como disse meu colega de trabalho semi-boss, é da natureza humana fazer m... e ficar um tempão consertando isso, não importa o quanto espertos sejamos. O que demonstra a lguma esperteza é exatamente o fato de consertarmos isso! Foi meu caso. Ali por março/abril, cometi um erro-crasso-gigantesco-imcompreenssível. Descobri aí por maio, e desde etnão passei tentanto consertar. Consegui. Resolvi tudo aí por outubro. Nesse ínterim, não conseguipensar em muita coisa. Sou ótimo em resolver problemas. Bom mesmo! Vai ver, é prática, mas nesses processos minha cabeça se foca e não penso em mais nada. Fico meio zumbi. Resolvo, mas fico zumbi.

Pois bem, era isso. Como não tava bem da cuca, fiz outras burradas na área afetiva - que embora com resultados trágicos, despertaram meu lado artístico - e essas não consegui consertar. Well, assim sendo, bola pra frente. Como diz a poesia do Srike - isso é uma homenagem ao meu irmão - virou, uôuô, e a mente se abriu... o mundo gira e bota tudo sempre no lugar...!

Mas, por enquanto, essa fase acabou. Retomando a vida de verdade, troquei de emprego, escrevi um artigo científico muito interesante, participei da seleção do mestrado da Uni e tenho a prova da UFRGS (Ciência Política, que é o ôro!) dia 15, vou (enfim) me formar e tenho exame de ordem à vista. Já é alguma coisa, o que me leva a falar de coisas sérias. Uma premiére: e que tal PT+PSDB (não nessa orde. Ou sim, sei lá!) em 2010? Detalhes no proximo post.

Abraço.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Raul

Tão rolando pencas de festas da minha turma de formando. Umas duas por semana... Fui em quase todas até agora. Na verdade em todas. Ontem, numa delas, tava falando com uma guria que não é formanda e ela definiu tudo: não é um clima de "vamos aproveitar", mais parece que tá todo mundo desesperado, precisando se arranjar. Tá mais pra "nossa, tenho que fazer besteira na faculdade..." Nas palavras dela tá todo mundo desesperado!

Pois é, eu (também) devia estar sorrindo e orgulhoso por ter finalmente vencido na vida mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa...


Ah! Mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado: macaco, praia, carro, jornal, tobogã... Eu acho tudo isso um saco

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Bem, amigos da rede globo....

Talvez eu seja um nojento!

É,talvez! A coisa toda começou com a Jamile, ex-colega de trabalho que me olhou nos olhos e disse Oseias, como tu és elitista. Claro, já tinha ouvido da minha família coisas do tipo, mas assim, vindo de uma pessoa nem não tão próxima, com um grave de seriedade, comecei a considerar. Até porque ela tinha fundamentação. J, como boa profissional do Direito, em atenção ao artigo 93, inciso IX, da Constituição fundamentava sua constatação em um monte de episódios.

Não dei muita bola, pois pra mim isso só demonstrava o que eu sempre admiti: eu não gosto de um monte de gente e não tenho problemas com isso. Aprendi com o Mestre dos Magos, na aula de Penal IV: Há pessoas com as quais não é bom se dar mesmo. E além disso, apesar de bem fundamentada, a sentença da J era um tanto estranha porque surgiu n’uma conversa na qual eu dizia que não gostava de X exatamente porque ele era cheio de frifrufru, espumante não era champagne, freqüentava o Fazano e o diabo em pé.

A coisa começou a tomar corpo nessa semana. A Ju vive me dizendo que tenho um ar sério e empolado. A Márcia-amo-mais-que tudo adoora dizer que eu me sinto, mas com elas eu brinco mesmo de ser esnobe só porque elas acham engraçados.Ontem tinha apitaço da minha turma de formandos. É uma coisa tosca na qual todo mundo veste a camiseta da turma, uns chapéus de palhaço, uns colares pseudo-havaianos (porque de plástico), óculos bestas e outros apetrechos de festa infantil, de preferência traz-se uma banda de pagode, um monte de serpentina e papel picado e invade as salas pra atrapalhar as aulas. O ponto alto se dá quando as mais animadinhas - sempre tem – puxam um criativo coro de Ah, eu sou formando... Sempre rola o hino dos times e coisinhas do gênero. Tão previsível.... Óbvio que não participei, Óbvio. Nunca entendi porque aquela idiotice. Sempre considerei mesquinhos os comentários de “Ai que m... esses formandos idiotas empatando a aula. Mas, ah, que no semestre que vem sou eu! (????????)

Mas, como não participei dessa coisa, como – depois de muita oração – convenci meus pais de que formatura é uma coisa inútil e colarei grau em gabinete, sabotando a minha própria campanha nos últimos dois anos para orador (aliás, releva sublinhar, como é bom mudar de idéia às vezes!), ontem, quando fui pro buteco com os formandos, alguém deu a entender que isso era um misto de rebeldia com ar de superioridade. Noutra roda, foi dito eu queria posar de intelectual e por isso superior.

É estranho ouvir tudo isso, mas acho que, paradoxalmente, tem um pouco de verdade! Concordo com o meu novo ídolo, C. Wright Mills de que o conhecimento tem função libertadora. Talvez seja mesmo porque eu li um pouco mais que a maioria, - pouco mesmo – que consigo me virar bem com minhas opiniões e na medida do possível, pensar o que quero, dizer o que penso e fazer o que quero. Aliás, em meu apoio Mills disse, mais ou menos, que acatar as opiniões dos outros é uma forma de conseguir o agradável sentimento de estar certo sem precisa pensar.

Isso nos leva, meio de canto, ao argumento de J. Bartlet quando vai responder em cadeia de TV perguntas de crianças sobre o espaço. Ele tem um cientista da NASA de cada lado, mas ao invés de repassar as perguntas, insiste em responder ele mesmo e de bate-pronto qual a temperatura, a idade, e qualquer coisa sobre Marte, Netuno, o mundo. A C.J., assistente de imprensa lhe diz Presidente, pára de se exibir, ninguém gosta de um sabichão e ele responde Claro, eu tenho um Prêmio Nobel no currículo, falo quatro idiomas, controlo metade do arsenal nuclear do mundo, mas Deus nos livre de as crianças descobrirem que seu presidente é esperto...

Em outras palavras, desde quando o normal é gritar apitar e atrapalhar as aulas dos outros? E porque mesmo, além das reminiscências da Sessão da Tarde eu tenho que vestir uma bata estranha, ter meu nome escrito em neon na parede e durante 45 segs., ouvir uma musiquinha que, em tese, é marcante ou resume minha vida, tudo isso para alfim, ser bacharel em direito. Vem cá tchê, não é o fato de eu passar lendo os últimos 6 anos, dormindo pouco e penando em ônibus que me torna bacharel?

Em outras palavras, e aqui vamos ao Gui Débord, o espetáculo, se tornou tão comum que se tornou necessário e - pra mim isso é muito engraçado - de tão necessário, furtar-se a ele é querer chamar atenção. Ser normal se tornou esnobismo...

Pra esses momento, gosto de Marx e tudo o que ele profetizou, tanto pelo que acertou por ser um gênio, quanto pelo que errou por confiar no ser humano “Tudo o que era sólido se evapora no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e por fim o homem é obrigado a encarar com serenidade suas verdadeiras condições de vida”. Que nada, a gente sempre dá um jeito...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A vida dos outros

Para a seleção de mestrado tive que estudar um pouco de hermenêutica, uma ciência (?) que coloca uma questãozinha bem complicada e ignorada nos debates sobre a vida: o sentido das coisas. Sabe naqueles dias lights, de tomar vinho com os amigos do peito, abrir o coração, falar sobre coisas esquisitas, que só entre amigos são inteligíveis, mesmo nesses dias, duvido que alguém saia com um Mas tchê, mas porque mesmo que o azul se chama azul? Experimenta pra ver. Mesmo o seu bando de amigos pirados vai te olhar com cara de espanto, e isso pelo simples motivo que precisamos do sentido compartilhado para nos entender no mundo. Se ninguém souber que azul é azul, que presidente é o cara que manda no executivo e que o Los Hermanos é a melhor banda do Brasil e que o Grêmio vai ser campeão do brasileirão/2008, sem esse acordo prévio de sentido, esqueçam a civilidade. Aliás, nesse sentido se nota a riqueza da metáfora da Torre de Babel: (sim, metáfora, porque embora eu venha de uma tradição evangélica pentecostal, é dureza acreditar que o pessoal queria construir uma torre pra chegar ao céu) deitar falando uma mesma língua e acordar sem se entender.

Mas nós somos sábios, a gente se vira. Arrumamos jeito de entender e explicar as coisas, criamos símbolos, fixamos linguagens, como diz um amigo, atribuímos sentido a essa linguagem e convencionamo-los. E a gente jura que dá certo, tanto que acha estranho que alguém se dedique a investigar o sentido das coisa, ora! Mas quando tudo dá meio errado, vem ela, sim, o meio de aproximar uma coisa da outra, senhoras e senhores, com vocês, a metáfora.

Na minha opinião, metáforas são recursos supervalorizados. Ontem, passei quarenta minutos discutindo com o Fabrício a superioridade da descrição sobre a metáfora (na verdade não sei se ele entendeu assim...!). Mas vejam só: Toda vez que falta luz, toda vez que algo nos falta, o invisível nos salta aos olhos,um salto no escuro da piscina...

Sei, sei... só não sei o que o infeliz quis dizer! Caso não lembrem, meus três leitores, metáforas servem para iluminar o que não é compreendido não pra complexificar o discurso. É para evitar a confusão, não para criar metalinguagens.

Na verdade, esta é uma bronca antiga que venho tendo com o mundo: queremos explicar uma coisa, por exemplo, a sociedade, mas ao invés de dizer como ela funciona inventamos uma teoria e passamos a discutir o que significa cada termo dentro do raio da teoria, depois, quais conceitos da teoria são mais importantes, depois, começa-se a ver a sociedade nos temos da teoria e quando as coisas não fecham, óh que pena, a sociedade tá errada.

Sério, desde que vi algumas das pessoas mais inteligentes que conheço fazendo isso, começou a se embalar no trapézio do meu cérebro (viram, isso que é metáfora: uma imagem conhecida para presentar um processo bioquímico que não sei descrever; e que não é minha, como sabem, é do M. de Assis) uma palavra: obtusidade. O que difere o inteligente do brilhante. Aliás, a grande descoberta desse ano é que a inteligência, tenham certeza, a inteligência não serve pra nada.

Bem, a idéia era falar sobre outra coisa, não sei porque acabei parando aqui. Té mais!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Odeio!!!!!!

Tentei postar duas vezes e, por extrema bocabertice, não consegui. Que vá praquele lugarzinho, seu blog. (Vejam só, isso é o maximo de achincalhamento público permitido a alguém que quer ser Procurador da República ou do Trabalho - ainda não me decidi. Se tivessem me dito isso no ínicio da faculdade, eu teria feito gastronomia).

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O que me dói

Bem mais que as dores reais
As despedidas no cais
Em um tempo que é distante
Que na idéia eu tenho os amantes
a imagem

Dói bem mais que a dor
A minha incapacidade
A procrastinação
A espera da hora certa
Passada, deveras

Quiçá que ainda resolvo?
Se sinto mais do que o todo
O fim - acordado - de um amor
Que never, nunca iniciou!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Para entretê-los!

Pouco tempo, muito sono, coisas demais pra fazer. No intevalo entre tudo, e para entreter as crianças, compartilho a feliz descoberta de Jairo Lambari Fernandes:

http://br.youtube.com/watch?v=sXX8cV8IqYs&feature=related


(Eu te bendigo por ser teu o meu adeus... E se um dia me assossego há de ser nos braços teus!!!!!!!!!!!! Olôco!).


E um texto do mestre dos magos, catado da Zero Hora:


E que tal um dia sem Estado?, por Luciano Feldens


"Preconizou-se, dias atrás, "um dia sem imposto". Pagar imposto não é algo que dê prazer. Especialmente quando assistimos a recorrentes escândalos políticos envolvendo apropriação e desvio de dinheiro público. Quando falham as instituições de controle, então, como anotou Zero Hora em recente editorial, a indignação se avoluma. E o ápice do desgosto parece estar na constatação de que não percebemos o retorno prestacional para a parcela que aportamos em impostos. Sobre isso, é preciso esclarecer algo: nós, assinantes de Zero Hora, ocupantes de uma posição socioeconômica privilegiada, jamais receberemos do Estado, individualmente, uma contraprestação na exata proporção do que pagamos. E isso é assim, infelizmente, porque deve ser. A Constituição de 1988 fixa como objetivos fundamentais da República a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais (art. 3º). A única maneira de cumpri-los em uma sociedade altamente estratificada a exemplo da nossa, em que o Estado não produz riqueza, é mediante a capilarização de um percentual dos recursos de quem a produz, destinando-o ao financiamento de políticas sociais que aproveitam, em especial, às camadas socioeconômicas inferiores.

Diferentemente do que ocorre em um condomínio, onde cada morador cumpre com sua cota e os serviços são coletivamente devolvidos na medida do orçamento ajustado (limpeza, manutenção, segurança), no domínio social a situação é bastante diferente. Nem todos são pagadores. A maciça maioria não é. Isso significa que pagamos por outros e para outros. Essencialmente para aqueles que, se não fosse a presença do Estado no financiamento e na gestão da saúde e da educação públicas, por exemplo, jamais teriam minimamente satisfeitas essas condições elementares de dignidade humana; à diferença de nós, eles não têm a alternativa do setor privado...

Em termos de política social, sempre se poderá fazer melhor. Muito melhor, talvez. Seja como for, enquanto persistir essa profunda desigualdade, a fórmula da redistribuição implicará, sempre, que paguemos mais do que individualmente possamos almejar em troca.

Assim, além de um dia sem imposto, talvez pudéssemos também cogitar: que tal "um dia sem Estado"? Recentemente, os Estados Unidos presenciaram esse dia, quando da passagem do furacão que assolou New Orleans, levando à total paralisia dos serviços estatais de socorro (bombeiros, ambulâncias, polícias). Resultado: além da potencialização da tragédia em si, um aumento vertiginoso de roubos, estupros e homicídios. No Brasil, se esse "dia sem Estado" vingar, pretendo não sair de casa. E por um exercício hipotético de solidariedade mesclada com egoísmo, vou torcer para que esse dia não seja aquele no qual está agendada, há meses, pelo SUS, a sessão de quimioterapia de minha empregada doméstica. Ela depende do sistema público de saúde (Estado). E eu dependo dela."



Fui! Heidegger, Arendt e Ost me esperam.